UM SÓ FAZ A DIFERENÇA

nnnnPara quem dizia que não era capaz de escrever histórias, a Ana Rita Gonçalves saiu-se muito bem! Parabéns! Continua a estudar e a escrever a vida, o que é  também uma forma de arte e beleza!

“ Bem-vindo ao Primeiro Jornal.
Boa tarde, no Bairro do Cerco, em plena Cidade Invicta, esta manhã, sem razão aparente, deflagrou um feroz incêndio no 3º andar do bloco 3. Três pessoas morreram e uma bebé ficou com queimaduras ligeiras. Tudo começou com uma explosão devido a uma fuga de gás na cozinha do próprio andar. O bloco 3 foi evacuado e os bombeiros estão ainda a apurar se a habitação está em risco de ruir.”
Estas palavras, depois de tantos anos, ainda a magoavam, ainda ecoavam, na sua alma, uma profunda dor e sentimento de perda.
Tudo começou quando, num dia chuvoso de março, o irmão a levou a passear no parque. Quando chegaram a casa, o jovem de 17 anos, ao deparar-se com toda aquela situação, deixou a irmã no carrinho e correu em socorro dos pais. Uma segunda explosão tirou a vida ao rapaz e feriu ligeiramente a frágil menina.
Com treze anos, já tinha plena consciência da sua história, sabia que aquele bairro lhe tinha tirado tudo o que a fazia feliz; porém, sabia também que era o sítio onde tinha nascido, onde tinham casado os seus pais e, principalmente, onde tinham sido felizes os quatro como uma família.
Já com 33 anos, decidiu recuperar as suas raízes e memórias. Trinta anos depois do desastre que mudou a sua vida, decidiu reconstruir a casa que a viu nascer.
Ao pesquisar sobre o acontecimento, deparou-se com uma estranha coincidência. Ao procurar notícias sobre o dia 3 de março, reparou que de 10 em 10 anos algo acontecia.
No dia 3 de março de 2003 a explosão no bairro, no dia 3 de março de 2013 um cruzeiro afundou-se ao sair do cais de Gaia e matou 33 pessoas, a 3 de março de 2023 o despiste de um avião no Aeroporto Francisco Sá Carneiro vitimando 333 pessoas.
Apesar de todas as fatalidades serem dadas como avarias ou falhas técnicas, este padrão parecia suspeito.
Estes acontecimentos deixaram-na intrigada e profundamente entristecida. Tentou esquecer tudo, não pensar mais no assunto, mas tudo na sua cabeça rodava num corrupio extenuante.
Sentada, a olhar o mar, relembrou a notícia da explosão, tudo o que tinha perdido: os pais, o irmão, a família. Vieram-lhe as lágrimas aos olhos, não conseguia aguentar tudo sozinha.
Não ia deixar que mais pessoas passassem pelo mesmo que ela, sem investigar. Ao contrário do que todas as pessoas pensam, a humanidade tinha evoluído muito. O mundo estava mais verde, mais limpo e mais consciente.
Através das redes sociais, marcou um encontro com as famílias das vítimas para partilharem a sua dor e as suas memórias.
Cerca de 3 mil pessoas apareceram no Parque da Cidade do Porto, todas unidas pela mesma causa. Um forte sentimento nostálgico instalou-se no ar. Por estranho que pareça, Inês saiu do encontro mais animada, sabendo que não estava sozinha.
Sim, a Inês era a pequena bebé, agora já adulta. Quando saiu do Parque, sentia-se mais forte, mais motivada a ajudar quem já tinha, como ela, passado por essa situação.
Todos os meses marcava reuniões, saídas, atividades, tendo sempre como objetivo unir os familiares e amigos das vítimas para demonstrar que não estavam sozinhos e que se podiam ajudar uns aos outros. Pouco tempo depois, estes encontros eram incontroláveis: amigos levavam amigos que traziam os irmãos que levavam a namorada… Todos moravam perto, alguns até na mesma rua, não era necessário sofrerem nem passarem por tudo aquilo sozinhos, podiam contar uns com os outros.
Desde a primeira vez que se juntaram no parque e que se uniram, tudo começou a mudar, mas, neste caso, para melhor. Desde que se aproximaram, deixaram de ser apenas os representantes de um conjunto de prédios, de moradias, de ruas de casas, e passaram a ser uma só cidade e uma só comunidade. Passaram a ser um SÓ. Todos se preocupavam com os que estavam a sofrer. Dividiam os desgostos e multiplicavam as alegrias.
O Porto já não era como antes, já não era egoísta nem egocêntrico, era agora unido, humilde e compreensivo.
A Inês chegou à conclusão que era apenas o universo a mostrar àquelas pessoas que há melhores maneiras de se viver a vida, não tinham se ser “quadradas” e viver num mundo fechado. Se seguissem três ideias essenciais, tudo ficava diferente e uma só pessoa podia fazer a diferença. Tinham apenas de PARTILHAR, SER HUMILDES E AJUDAREM-SE UNS AOS OUTROS. E um triste número singular tornou-se feliz e plural .

Ana Rita Gonçalves, 11º3

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