Investigações com números dentro

tercA Sofia e o Daniel, do 11º 3, revelam bem, na história que escreveram, a sua inteligência científica. O futuro espera-vos!

São quatro horas da manhã. Pedro ainda se encontra no seu “laboratório”. Decide dar por terminado o seu trabalho e subir. Despe a bata e vai-se deitar.
Dorme profundamente durante duas horas. “Beep! Beep!” – o alarme toca. Acorda, levanta-se e vê o seu reflexo no espelho. Apesar de, sem o estilo de vida que leva, poder parecer um belo homem nos seus trinta anos, as suas olheiras e rosto cansado dão a aparência de ser mais velho e de feições carrancudas. Não perde tempo com reflexões sobre o que pode ter perdido com o seu empenho no “trabalho”, veste-se rápida e eficazmente, toma um café e sai de casa.
Dirige-se para o metro, passa o cartão pelo sensor da máquina de acesso, entra e senta-se no lugar habitual; olha em volta: duas, cinco, sete, onze pessoas. São diferentes entre si: jovens, idosos, crianças, homens e mulheres, uma barriga mais larga, uns óculos, rugas, sardas, felicidade, apatia – a diversidade das características tornava-os únicos; eram humanos. Mas Pedro não os contemplava desse modo. Com uma indiferença crua, mesmo cirúrgica, nas diferentes qualidades via apenas imperfeição.
São sete horas, o metro parte costumeiramente, sobrevoando a Metrópolis iluminada pela luz do nascer do sol. Pedro abre o jornal digital, lê o cabeçalho da primeira notícia e não deixa de lhe escapar um sorriso irónico – mais um dos nossos maravilhosos artigos populares a recriminar a evolução da nossa espécie, oh que bela sociedade! – pensa.

Brincar a Deus
Desde que o ser humano se distinguiu dos demais seres vivos que almeja atingir a perfeição, tal como comprovam os grandiosos monumentos e obras de arte, como as pirâmides do Egito, os frescos de Michael Ângelo, as sinfonias de Beethoven. Atualmente, o Homem continua a seguir este caminho. Todavia, de uma forma diferente, não se contentando com igualar. Alguns seres humanos, agora, tentam superar os limites da criação. Não serão eles “Ícaros” a aproximar-se demasiado do sol?
Nos últimos anos, cientistas de todas as partes do mundo têm desenvolvido técnicas de manipulação genética em seres humanos. Contudo, a ONU tem aplicado sanções aos países que têm financiado este tipo de pesquisa. Devido à falta de moralidade que este tipo de práticas revela, um grande número de investigadores foi colocado em prisão preventiva. O surgimento deste problema levou à ratificação de leis proibidoras de qualquer tipo de projetos envolvidos neste assunto desumano, foram mesmo veicula… – desliga o jornal.
Às sete e dez, o metro para na estação 29. Pedro sai apressadamente e dirige-se à universidade, lugar onde leciona.
Depois de algumas horas a falar sobre genética, volta a casa, dedicando-se ao seu verdadeiro trabalho. Há muito que pretendia criar um ser humano perfeito. Como conseguiriam as pessoas conviver diariamente com tanta imperfeição? Era uma questão com a qual se debatia diariamente. Tentava conceber um ser sem defeitos através de técnicas de clonagem e de manipulação genética. Procurava inserir a proporção áurea em cada molécula de ADN: o número 1,618 estava presente em cada característica do novo ser! E era hoje o dia. Finalmente, o momento por que tanto ansiou: agora o feto nascia. Retirou-o muito cuidadosamente da incubadora e envolveu-o para o proteger do frio. Ah! Como era belo! Admirou-o por uns breves instantes e rapidamente procedeu à extração de uma amostra de sangue. Analisou-a várias vezes, mas chegou sempre à mesma conclusão, havia algo de errado: faltava-lhe a hormona responsável pela empatia. Como era isto possível? O melhor ser humano que alguma vez existiu não era, realmente, um ser humano – tinha criado uma máquina.
O culminar de anos a fio de trabalho reduziu-se a um enorme fracasso. A angústia apoderou-se do seu corpo e a réstia de esperanças que tinha na humanidade sumiu-se por completo. Significaria que a perfeição era impossível? Como poderia continuar a viver com esta terrível verdade? Tudo o que havia feito fora para nada?
Eram onze da noite, Pedro ainda se encontrava no seu laboratório. Rotineiramente, decidiu dar por terminado o seu trabalho, injetou uma dose letal de morfina no bebé e, seguidamente, em si próprio. Subiu as escadas, despiu a bata e deitou-se. Ouviu o toque da campainha e as vozes ameaçadoras da polícia – pelos vistos alguém tinha descoberto a natureza das suas pesquisas – suspirou e fechou os olhos.
Novos números lhe passaram pela mente.

Sofia Silva e Daniel Cardoso, 11º 3

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