21 Sonhos Azuis e Brancos

21Num ano de poucas vitórias do FCP, a Helena G e a Mariana F, do 11º 3, escreveram uma bela história – com belos sentimentos dentro. Também elas os revelam.

Sempre que olho à minha volta, observo uma realidade completamente diferente à do meu dia a dia.
Apesar de conviver com pessoas ditas “normais”, a relação que estabeleço com elas é sempre afetada pela minha doença – Trissomia 21.
Sou o Tiago, tenho doze anos e, embora, para a minha família, seja um menino comum, aos olhos dos outros sou visto como uma pessoa que não se encaixa na nossa sociedade.
Desde muito cedo, fui aprofundando uma grande paixão, a do Futebol Clube do Porto, tendo a minha família contribuído para que esta crescesse de dia para dia. Devido a esta afeição, nutro em mim um grande desejo de conseguir assistir a um jogo deste grande clube e de conhecer o seu plantel.
No início deste ano, na esperança de me verem sorrir, os meus pais preencheram um formulário, pedindo o apoio à Associação Make a Wish para levar a cabo esta minha vontade, visto que, pelo facto de já terem grandes despesas e esta vir a ser mais uma, ainda por cima de difícil acesso, eles não ma conseguiriam conceder. Esta instituição, conhecida em todo o mundo, tem como finalidade melhorar a qualidade de vida de crianças com problemas semelhantes ao meu, ou com doenças que estejam num estado bastante avançado.
Passados seis meses, ainda não tinha recebido nenhuma resposta, só a confirmação de que o meu pedido já tinha sido registado.
Com o tempo a passar, concentrei-me de novo na minha rotina, mais propriamente em idas à escola, passagens pelo hospital e esperas nas salas para os tratamentos e terapias, contudo sempre com o pensamento no clássico que poderia estar para vir.
No dia vinte e um de setembro, após uma longa e esperançosa espera, vi os meus pais entrarem no meu quarto com um grande sorriso nos lábios e um presente nas mãos. Quando o vi, reparei que para a prenda estar tão bem embrulhada e com um laço tão bonito, e ainda por cima azul, só poderia ser uma coisa magnífica. Pediram para que eu a abrisse e visse o seu conteúdo. Com grande entusiasmo, verifiquei o que se encontrava lá dentro, acabando por ficar, por breves momentos, um pouco desapontado, pois afinal só encontrei um envelope branco. Porém, quando o abri e o comecei a ler, aquela pequena desilusão transformou-se na mais pura das alegrias.
Aquelas pequenas letras, embora com um grande significado, representavam tudo o que eu ansiava de há muito tempo para cá. A concretização do meu desejo estava finalmente a aproximar-se a passos largos.
Aquela carta tinha uma importância tão grande na minha vida que pedi à minha mãe para que a guardasse num sítio muito especial, para que nunca se danificasse nem se perdesse.
O tempo foi passando até que vinte e um de dezembro chegou. O grande dia, aquele em que a minha vida se tornaria mais colorida.
Tal como de costume, levantei-me bem cedo e, sendo um sábado, passei a manhã com os meus pais.
A meio da tarde, já com uma enorme euforia, tinha chegado o momento. Pelo caminho, parecia que o céu, apesar de ser inverno, tinha ganho um tom azul magnífico e as nuvens, no seu mais puro branco pareciam algodão.
Cheio de pressa, implorava ao meu pai que fosse mais rápido, para chegar ao Estádio o mais depressa possível.
Já muito perto do nosso destino, passámos por uma barraca que vendia adereços e artigos relacionados com o Futebol Clube do Porto. Parámos e acabei por ir comprar um cachecol e uma camisola do Brahimi, o meu jogador preferido.
Seguidamente, entrámos no estádio e foi aí que me deparei com um magnífico mundo azul e branco que transbordava de alegria.
Como ainda era cedo e fazia parte do presente que me fora oferecido pela Make a Wish, comecei a minha visita guiada pelo interior do recinto e ainda tive a oportunidade de ir visitar o Museu do mesmo.
Conheci os balneários da equipa, a sala de conferências, a de entrevistas rápidas, a de espera dos familiares, a de reportagens, o campo de aquecimento, o jacúzi de tratamento, o relvado, as bancadas principais e os camarins.
Depois, ainda fui ver o Museu, onde observei as esculturas, vídeos e fotografias daqueles que passaram por este clube e fizeram parte da sua História.

Duas horas antes de começar o clássico Porto vs Benfica, dirigi-me com o representante da associação, que me acompanhou toda a tarde, até ao relvado, e lá, para minha grande surpresa, estava à espera o plantel portista. Todos me cumprimentaram e deram os parabéns pela minha força de vontade e persistência. Também jogámos um pouquinho na brincadeira, mas a maior prenda ainda estava para vir. O Brahimi, que até lá não tinha aparecido, chegou com uma camisola e bola oficiais autografadas por todos os jogadores, técnicos e pelo atual treinador Lopetegui. Tirámos fotografias e despedimo-nos.
Às vinte horas e quinze minutos, começou a partida. Vivi todo o jogo intensamente e a minha felicidade que naquele dia já era grande duplicou, quando, no final, a minha grandiosa equipa ganhou 3-0.
Aquele dia terminou da melhor maneira e, graças a todos os momentos que passei, o número vinte e um tornou-se o meu número da sorte.
Com esta minha experiência, aprendi que a alegria está na luta, na tentativa, no sofrimento envolvido e não só na vitória propriamente dita.

Helena Gomes e Mariana Ferreira, 11º 3

 

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