No Entardecer dos Dias de Verão

vago

Van Gogh

No entardecer dos dias de verão, às vezes,
Ainda que não haja brisa nenhuma, parece
Que passa, um momento, uma leve brisa…
Mas as árvores permanecem imóveis
Em todas as folhas das suas folhas
E os nossos sentidos tiveram uma ilusão,
Tiveram a ilusão do que lhes agradaria…
Ah, os sentidos, os doentes que veem e ouvem!
Fôssemos nós como devíamos ser
E não haveria em nós necessidade de ilusão …
Bastar-nos-ia sentir com clareza e vida
E nem repararmos para que há sentidos …
Mas graças a Deus que há imperfeição no Mundo
Porque a imperfeição é uma cousa,
E haver gente que erra é original,
E haver gente doente torna o Mundo engraçado.
Se não houvesse imperfeição, havia uma cousa a menos,
E deve haver muita cousa
Para termos muito que ver e ouvir …

Alberto Caeiro, in “O Guardador de Rebanhos – Poema XLI”
Heterónimo de Fernando Pessoa

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Para que as vossas férias tenham Memorial (1)

Memorial – n.m.
1. Designação da narração de acontecimentos ou pessoas que são inesquecíveis – memoráveis;
2. Livro que é utilizado para apontar as coisas que alguém não quer esquecer;
3. Denominação atribuída ao monumento edificado em homenagem ou lembrança de algum indivíduo ou de determinado acontecimento;
4. Designação de uma lembrança específica que serve para clarificar uma dúvida;
5. Anotação ou apontamento que faz referência a uma solicitação que já foi feita;

adj.m. e adj.f.
6. Respeitante ou pertencente a memória;
7. Merecedor de permanecer na memória; diz-se do que é inesquecível ou memorável.

In Dicionário de Português online

Abramos, agora, o Memorial do Convento de José Saramago

bbBaltasar e Blimunda – um casal ficcional (Era uma vez um soldado maneta e uma mulher que tinha poderes…)

 reisD. João V e D. Maria Ana de Áustria – um casal real (Era uma vez um rei que fez a promessa de levantar um convento em Mafra…)

Domenico Scarlatti Scarlatti– um músico (tocava cravo)

Padre Bartolomeu – PBo homem que sonhou e conseguiu construir a passarola pass(Era uma vez um padre que queria voar e morreu doido…

E muitas personagens e temas para reflexão (o amor, o sonho, a guerra, a religião…) encontrarão no romance Memorial do Convento – obra construída em diferentes linhas de ação:

Era uma vez um rei que fez a promessa de levantar um convento em Mafra…

Era uma vez a gente que construiu esse convento…

Era uma vez um soldado maneta e uma mulher que tinha poderes…

Era uma vez um padre que queria voar e morreu doido…

Ouçamos uma peça de Domenico Scarlatti (1685/1757):

 

BOAS LEITURAS!

Parabéns a todos os que escreveram, que escrevem e /ou que vão escrever

Foi com imensa alegria que publiquei aqui, no nosso blogue, as vossas belas histórias, do 4º escalão, já divulgadas no livro Histórias com números dentro – iniciativa da Oficina de Língua, com o apoio da Biblioteca Escolar (Se me esqueci de alguém, digam-me, por favor, e, se tal aconteceu, desde já, peço desculpa).

 Já começámos a pensar no tema do concurso “Vamos escrever um conto…” para 2015/2016.

Como se verificou nos anos anteriores, as histórias serão escritas voluntariamente. Contamos continuar a ver os sorrisos de satisfação pela obra produzida, que leva ao desenvolvimento de práticas de cidadania, de aquisição de novos conhecimentos…

Não se esqueçam que o concurso também está aberto aos pais, num escalão diferente, é claro.

O tema do próximo ano letivo ligar-se-á também aos objetivos da Escola que salientam a importância da aquisição de aprendizagens.

Felizmente, vamo-nos encontrando na escola, mesmo que o trabalho se efetue em turmas diferentes.

Boas férias – com mar, descanso, alegria…

Beijinhos para todos.

UM SÓ FAZ A DIFERENÇA

nnnnPara quem dizia que não era capaz de escrever histórias, a Ana Rita Gonçalves saiu-se muito bem! Parabéns! Continua a estudar e a escrever a vida, o que é  também uma forma de arte e beleza!

“ Bem-vindo ao Primeiro Jornal.
Boa tarde, no Bairro do Cerco, em plena Cidade Invicta, esta manhã, sem razão aparente, deflagrou um feroz incêndio no 3º andar do bloco 3. Três pessoas morreram e uma bebé ficou com queimaduras ligeiras. Tudo começou com uma explosão devido a uma fuga de gás na cozinha do próprio andar. O bloco 3 foi evacuado e os bombeiros estão ainda a apurar se a habitação está em risco de ruir.”
Estas palavras, depois de tantos anos, ainda a magoavam, ainda ecoavam, na sua alma, uma profunda dor e sentimento de perda.
Tudo começou quando, num dia chuvoso de março, o irmão a levou a passear no parque. Quando chegaram a casa, o jovem de 17 anos, ao deparar-se com toda aquela situação, deixou a irmã no carrinho e correu em socorro dos pais. Uma segunda explosão tirou a vida ao rapaz e feriu ligeiramente a frágil menina.
Com treze anos, já tinha plena consciência da sua história, sabia que aquele bairro lhe tinha tirado tudo o que a fazia feliz; porém, sabia também que era o sítio onde tinha nascido, onde tinham casado os seus pais e, principalmente, onde tinham sido felizes os quatro como uma família.
Já com 33 anos, decidiu recuperar as suas raízes e memórias. Trinta anos depois do desastre que mudou a sua vida, decidiu reconstruir a casa que a viu nascer.
Ao pesquisar sobre o acontecimento, deparou-se com uma estranha coincidência. Ao procurar notícias sobre o dia 3 de março, reparou que de 10 em 10 anos algo acontecia.
No dia 3 de março de 2003 a explosão no bairro, no dia 3 de março de 2013 um cruzeiro afundou-se ao sair do cais de Gaia e matou 33 pessoas, a 3 de março de 2023 o despiste de um avião no Aeroporto Francisco Sá Carneiro vitimando 333 pessoas.
Apesar de todas as fatalidades serem dadas como avarias ou falhas técnicas, este padrão parecia suspeito.
Estes acontecimentos deixaram-na intrigada e profundamente entristecida. Tentou esquecer tudo, não pensar mais no assunto, mas tudo na sua cabeça rodava num corrupio extenuante.
Sentada, a olhar o mar, relembrou a notícia da explosão, tudo o que tinha perdido: os pais, o irmão, a família. Vieram-lhe as lágrimas aos olhos, não conseguia aguentar tudo sozinha.
Não ia deixar que mais pessoas passassem pelo mesmo que ela, sem investigar. Ao contrário do que todas as pessoas pensam, a humanidade tinha evoluído muito. O mundo estava mais verde, mais limpo e mais consciente.
Através das redes sociais, marcou um encontro com as famílias das vítimas para partilharem a sua dor e as suas memórias.
Cerca de 3 mil pessoas apareceram no Parque da Cidade do Porto, todas unidas pela mesma causa. Um forte sentimento nostálgico instalou-se no ar. Por estranho que pareça, Inês saiu do encontro mais animada, sabendo que não estava sozinha.
Sim, a Inês era a pequena bebé, agora já adulta. Quando saiu do Parque, sentia-se mais forte, mais motivada a ajudar quem já tinha, como ela, passado por essa situação.
Todos os meses marcava reuniões, saídas, atividades, tendo sempre como objetivo unir os familiares e amigos das vítimas para demonstrar que não estavam sozinhos e que se podiam ajudar uns aos outros. Pouco tempo depois, estes encontros eram incontroláveis: amigos levavam amigos que traziam os irmãos que levavam a namorada… Todos moravam perto, alguns até na mesma rua, não era necessário sofrerem nem passarem por tudo aquilo sozinhos, podiam contar uns com os outros.
Desde a primeira vez que se juntaram no parque e que se uniram, tudo começou a mudar, mas, neste caso, para melhor. Desde que se aproximaram, deixaram de ser apenas os representantes de um conjunto de prédios, de moradias, de ruas de casas, e passaram a ser uma só cidade e uma só comunidade. Passaram a ser um SÓ. Todos se preocupavam com os que estavam a sofrer. Dividiam os desgostos e multiplicavam as alegrias.
O Porto já não era como antes, já não era egoísta nem egocêntrico, era agora unido, humilde e compreensivo.
A Inês chegou à conclusão que era apenas o universo a mostrar àquelas pessoas que há melhores maneiras de se viver a vida, não tinham se ser “quadradas” e viver num mundo fechado. Se seguissem três ideias essenciais, tudo ficava diferente e uma só pessoa podia fazer a diferença. Tinham apenas de PARTILHAR, SER HUMILDES E AJUDAREM-SE UNS AOS OUTROS. E um triste número singular tornou-se feliz e plural .

Ana Rita Gonçalves, 11º3

Sou o número 666

nnnnA Ana Rita Carvalho  revela, no seu conto, para além dos seus múltiplos talentos e inteligência, uma grande delicadeza. Também pelos animais. Parabéns.

Seis horas, seis minutos e seis segundos. O sol, imponente, parece não querer fazer desabrochar o dia… Os pássaros não se atrevem a cantar as suas doces e suaves melodias, receosos de terminar com aquele tão angustiante, sufocante, cruel e fatal silêncio. Sendo o número 666 então, demorando ao ato da nossa morte apenas 6 segundos tenho, ora… deixa cá ver… 3996 segundos, ou seja, cerca de 66 minutos e 36 segundos de vida. Encosto-me, então, ao cantinho da minha cela, enrosco-me na minha mantinha e procuro o sossego da minha alma… Mas onde raio está metido? Desisto. Estou destinada a passar os últimos momentos da minha curta existência sobressaltada…
Acho que ainda não me apresentei… Maria Tobias; Tobi, para os amigos. Idade, 37 anos. Sou conhecida pelos meus grandes olhos verde-amarelados bem como pelo brilhante e macio casaco de pelo que visto diariamente… E talvez seja esse o motivo desta espera pela morte… Claro, também não há ninguém que trate o seu vestuário tão bem como eu! Passo, digo, passei 30% do meu tempo a limpá-lo… Para quê? Para que uns quaisquer seres desprezíveis e insensíveis que eu não consigo reconhecer possam vestir “uma das peças mais requintadas, belas e únicas do mundo”, pelos vistos.
E pensar que caí na armadilha… e pensar que também os meus filhotes poderão estar entregues a esta má sorte e que nada posso fazer para o impedir… Tudo começou há uma semana. Andava em busca de algo com que pudesse alimentar a minha família. Quando, de repente, senti um odor intenso a carne, vindo da Rua dos Destinos, nº 6. No entanto, uma vez lá, apenas encontrei uma falsa iguaria. Senti-me, durante alguns segundos, observada. Mas os meus filhotes esperavam comida ansiosamente, e eu tinha de ser breve a encontrá-la. Não podia perder tempo a investigar aquele assunto. Na manhã seguinte, voltei àquele lugar. Escondi-me, pois dois daqueles cruéis seres de que tanto vos falo estavam a construir uma armadilha; mas não uma qualquer. Aquela gaiola, marcada com o algarismo 6, tinha como objetivo capturar os da minha espécie. Todos os pormenores pareciam ter sido estudados para que não falhasse. E, de repente, deteto novamente o cheiro que me atraíra no dia anterior para aquele jardim. “À primeira caem todos; à segunda caí quem quer.” pensei eu. Bem, voltei para casa, para junto dos meus pequenotes, e, enquanto os adormecia, pensava no que tinha visto. Para quê tudo isto? Para onde nos levariam? Para um sítio melhor, ou não? Deixei-me adormecer sobre aquele assunto e, mais tarde quando despertei, verifiquei que Papoila, a mais pequenina, tinha desaparecido. Corri todas as ruas e jardins… Parecia impossível… Onde estaria ela? Lembrei-me, subitamente, daquele lugar. Corri desesperadamente até lá. E qual é o meu espanto… Estava mesmo ali, deitada sobre a relva, olhando atentamente aquele traidor pedaço de plástico e pensando que seria uma boa altura para me mostrar que já conseguia ir em busca de alimento sozinha. “Vê só, mãe!”. “Não!” gritei. Mas ela já estava preparada. Nada mais me restava a não ser tentar ser mais rápida do que ela e impedi-la de cair na “número 6”. Fui o mais veloz que pude e, quando não conseguia mais, saltei por cima dela. Parece que não caí à segunda, mas sim à terceira. O choro frágil e doloroso dos meus pequeninos estava a endoidecer-me! A verdade é que tenho pensado todos os dias neles e nesse momento… E não consigo disfarçar esta angústia nem controlar a minha sede de liberdade! E, nos momentos de maior desespero acabo por ser o alvo da minha raiva…
Qual é a probabilidade de no edifício nº6 da Rua dos Destinos existir uma armadilha número 6, na qual alguém cai e é transferido para um local onde será morto em apenas 6 segundos? Nenhuma, poderão pensar vocês. Eu acho ser enorme. Depois de uma semana de estudo e reflexão, concluo que fui vítima da trilogia satânica “666”. Não, não acredito no diabo… Acredito nos maus instintos dessa estranha espécie, esses tais seres implacáveis, macabros, insensíveis, egocêntricos, interesseiros e com uma mente demasiado fechada para a inteligência que afirmam ter… Todos os dias, horas, minutos e segundos diferentes animais caem nas suas mãos sujas. São atraídos para um determinado lugar, presos numa armadilha e mortos para fins puramente comerciais. Claro que para esses monstros está em primeiro lugar a produção de grandes casacos de pele ou de joias com marfim, por exemplo. Depois, e se houver disponibilidade, pensam em nós e, por vezes, com um bocadinho de sorte, chegam a arrepender-se de todos estes desumanos atos. Mas que adianta?
E estas foram as últimas palavras de uma gata. Já não consigo suportar mais esta espera, que me rouba a vida pedacinho a pedacinho. “Matem-me de uma vez!”, penso.
“Ver o sol aos quadradinhos” não é nada agradável… Ainda bem que chegou a minha vez. Será o fim do número 666? Infelizmente, é apenas o meu.

Ana Rita Carvalho, 11º 3

De volta à vida

terceiraA Ana Rita Norinho revela, mais uma vez, e, de novo muito bem, o seu gosto pelas histórias em que triunfa a alegre força de querer viver.

 

Deram-me 48 horas de vida há precisamente 11 meses e ainda aqui estou, em plena recuperação, balançando entre a casa e o hospital. Eu sei que os médicos são seres humanos, mas que intenção têm ao transmitirem aos progenitores de uma doente cerebral que daqui a dois dias irá morrer? O que eu retiro desta informação é “Tratem do funeral dela, pois será realizado dentro de algumas horas.”. Ou então é para que fiquem ansiosos e contem os segundos para acabar o meu prazo de vida na Terra.
Fui uma filha muito desejada. Ao fim da terceira gravidez, finalmente, os meus pais conseguiram ter nos seus braços uma bebé realmente deles. Daí, o número três passar a ser, para eles, o número de sorte. Sorte ou azar, mas isso explicar-vos-ei mais adiante. Deram-me o nome Leonor porque, segundo eles, é significado de luz e amor. Tretas! Não acredito em nada disso. Ontem, um enfermeiro muito jeitoso, aqui do hospital, disse que eu era muito bonita. C-O-R-E-I! Ninguém tem a noção. No entanto, depois de me elogiar, disse que eu transmitia muita calma e acrescentou que tinha cara de Leonor. Mas os nomes identificam-se pelo aspeto físico? Das coisas mais ridículas que já ouvi. Eu sei que foi dito com boa intenção. E vindo daquele “giraço” ainda gostei mais, mas não faz sentido absolutamente nenhum!
Como já referi, por razões óbvias, o número três é o favorito dos meus pais. Relembro: foi à terceira tentativa que conseguiram ter uma filha. No entanto, também foi no dia 3 de novembro que descobriram que eu tinha um tumor cerebral. Por outro lado, a 3 de janeiro, acordei do coma e, nesse mesmo dia, eles souberam que iriam conseguir adotar uma criança. Têm noção do “mega festão” que aqui houve, não têm? Ainda estava um pouco aparvalhada, um pouco a leste, mas tudo à minha volta transmitia felicidade. Não me chamasse eu Leonor, não é?
Tenho 16 anos e passo a minha vida a tirar fotografias. Até quando fiquei careca, momento em que todas choram e eu achava que estava super-gira. Lembro-me, como se fosse hoje, quando tive que cortar o cabelo pelos ombros. Nesse dia chorei, chorei e chorei. Mas depois passou-me e só queria que o cabelo caísse de vez para depois crescer direitinho e, quem sabe, todo encaracolado de novo.
Desde que tudo começou, o Francisco acompanhou-me sempre. Para quem não sabe, andámos juntos no infantário e, como somos vizinhos, sempre fomos muito próximos. Acho que foi o facto de passarmos todo o tempo juntos que fez com que nos aproximássemos e, pronto, já sabem como acabou. Namorámos há cerca de um ano e, segundo os meus pais, ele visitou-me sempre, mesmo estando em coma. Todos os dias, às 19 horas e 15 minutos, lá entrava aquele rapaz, por quem me apaixonei e continuo a apaixonar-me todos os dias, de guitarra às costas. Dava um beijo à minha mãe e outro a mim, na testa. Sentava-se e cantava sempre a música com a qual me pediu em namoro, “ I won’t give up” E, tal como se diz, ele nunca desistiu de mim nem de nós e hoje, graças a isso, temos uma relação forte e estável.
Os meus pais adoram-no e dizem que ele foi o melhor que me podia ter acontecido. Tratam-no como um filho, não fossem os pais dele os melhores amigos dos meus. Gosto dele, gosto muito dele. Tem sido crucial na minha sobrevivência. Aposto que já estão todos revoltados, dizendo que um rapaz nunca é a vida de nenhuma rapariga e nenhum merece este pódio. Mas não foi por acaso que, quando eu acordei, ele estava ao meu lado a cantar. Recordo-me desse momento. Lembro-me de começar a tentar acompanhá-lo a cantar e de o ouvir a chamar por toda a gente porque eu tinha aberto os olhos e, finalmente, voltava a estar lúcida. Ele agarrou-se a mim e besuntou-me toda. Sorri, sorriso esse que lhes encheu o coração.
Tenho os melhores comigo. Graças a eles, a minha luta está a chegar ao fim e, daqui a nada, vou poder dizer “Eu venci!”. Quando chegar esse momento, vou poder finalmente respirar de alívio, contra todas as expectativas, visto que, tal como referi no início, eu tinha 48 horas de vida e já se passaram 11 meses.

Este texto fará parte do prefácio do livro que a minha mãe decidiu escrever, enquanto eu estava em coma. Será publicado dentro de dias e ela fez questão que fosse eu a escrever esta parte do livro. Sinceramente, ainda não tive coragem para ler o que lá está escrito, mas espero, um dia, ganhá-la.
E, para terminar, nunca desistam dos vossos sonhos e lutem. Só é possível se acreditarem! E os números, neste caso, não enganam!

Ana Rita Norinho, 11º 3