Os Maias pelo Et7ra

teatro 2
Com que então ser sexta-feira a um dia 13 é símbolo de azar… Pois bem, hoje foi para mim um dia de sorte por ter podido assistir à peça “ Os Maias”, encenada pela companhia de teatro Et7ra, no auditório de Gulpilhares.
Após a leitura integral da obra, da qual gostei bastante, a visualização desta representação ainda me veio cativar mais para a história. Os cenários, apesar de simples, representam os espaços fulcrais no desenrolar da intriga, possuindo adereços característicos do século XIX e reveladores do diletantismo e do luxo das famílias nobres dessa época. Deste modo, conseguiram proporcionar ao público uma ideia da riqueza e da beleza dos espaços que na obra são retratados. Por outro lado, as personagens, para além de se assemelharem, de certa forma, às descritas pelo narrador em Os Maias, estavam vestidas tendo em conta o que neste romance é mencionado e a moda predominante naquele período. Assim, o vestuário permitia transmitir aos espectadores o ar distinto, elegante e galã de Carlos da Maia, a beleza divina de Maria Eduarda e também a personalidade romanesca, atrevida e adúltera da Condessa de Gouvarinho, por exemplo.
É também de referir que os atores e actrizes tiveram um excelente desempenho. Foram bastante expressivos, deixando transparecer as emoções mais adequadas a cada momento e assumindo a postura que melhor se adequava ao carácter de quem representavam. Destaco, por exemplo, o trabalho do ator que figurava Dâmaso Salcede, já que se apresentou vaidoso, orgulhoso, exibicionista e presunçoso, e o do que encarnava João da Ega, visto que se mostrava excêntrico, irónico, amante da vida e, no fundo, um romântico. Devo veicular que a interação com o público foi muito bem conseguida pois, para além de incluírem a participação de uma aluna no início da peça, recorreram, muitas vezes, ao humor (principalmente ligado a situações caricatas da atualidade), o que, consequentemente, levou os que observavam a peça (alunos do ensino secundário, na maioria) a prestarem muita atenção à mesma.
Considero que esta representação foi fiel à narrativa, dado que procurou fazer referência a quase todas as situações relevantes mencionadas em Os Maias: enquanto que os momentos fundamentais da história eram exibidos, outros que, apesar de não fazerem parte da intriga principal, essenciais para a sua compreensão, eram resumidos pelas personagens. Para além disso, a encenação restringiu-se apenas ao que neste livro de Eça de Queirós é dito.
Contudo, saliento que alguns aspetos poderiam ser melhorados. Um deles é a participação de Afonso da Maia, devido ao seu desempenho crucial na história. Penso que deveria ter sido mais vezes incluído na peça, recorrendo-se à representação de situações diretamente relacionadas com o enredo principal que a integra, como o momento da sua morte. Na minha opinião, a referência a Eusébio Silveira deveria começar a ser feita, pois o seu papel simboliza os malefícios da educação à portuguesa e retrógrada. Relativamente a Carlos da Maia, que tivera uma educação à inglesa, acaba por se tornar um falhado.
Ainda assim, acho que o balanço foi muito positivo e que a visualização desta peça facilita a compreensão da obra Os Maias e enriquece o nosso conhecimento relativo à disciplina de Português.

Rita Carvalho, 11º3

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